terça-feira, 19 de março de 2013

Vida em Morte (Parte II)

A porta de ar, como se fosse de aço, fechou.

Do outro lado, seguia com a leveza de quem carrega e é carregado por balões. Era a alegria indo embora. Era o encanto, que um dia me levantou, devolvendo-me ao chão.

Do lado de cá, eu agachava e tapava meus ouvidos, com força. Não suportei o barulho do cerrar de mais uma porta daquelas tantas outras. Por tudo. Por nada.

O som ouvido pelo meu coração saía, aos poucos, pelas cordas vocais. Na espécie de um grito. Desses, com vômitos, vermes, cor rosa avermelhada e memórias.

Enterrei-me. Seria pertinente morrer com todo o lixo carregado em meu útero, durante uma vida inteira.

E aqui estou. Sob a terra, à espera de que, num dia, minha própria mão enfeite, novamente, este âmago sepulcro. Com ratos ou flores coloridos.

Se é que existem cores. Nas flores.






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