domingo, 17 de março de 2013

Pincelâneas III

Em fagulhas, um soldado cego a me guardar.

Encostei o rosto na grama. Era macia a cor do sussurrar.

Malditos aqueles olhos surdos, desnudos. Estavam sempre a me alcançar.

Nas suas farripas, traziam pensamentos que insistiam em guerrear.

Mas a grama, de fagueira... Ah! Tão fagueira! Amamentou-me a levantar.

O infante faleceu. Bendita minha glória!

Brindemos assim, com agradecimento e desprezo.

Somente a exalar.



*Pintura a óleo "Caminho através do campo", de Renoir (1874).


4 comentários:

  1. Relatos de uma guerra interna,
    Que nem sempre outros olhos
    Entenderão esta sua caserna.

    Um brinde a esta busca por ti
    Trilhando campos de batalha
    De onde eu também um dia parti.



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    1. Pah... Faleci! Foi lindo o que escreveu!

      Abraço grande

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    2. Muito do que escreves reflete coisas íntimas suas, e nem sempre podemos ter a ousadia de interpretá-las, mas, a beleza da arte está justamente aí.

      Cada um que lê, acaba tendo sua própria percepção do contexto. E acaba também - por que não? - enxergando a si próprio dentro das veredas de outrem.

      Grande Abraço!

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    3. Foi justamente isso que me encantou na escrita. O universo das pessoas é vasto demais e cada um interpreta conforme suas experiências. Isso faz da escrita algo muito mais rico do que apenas escrever. (Considerando também a arte em geral.)

      Abração

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