segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sinfonias (III)

Senti saudades do céu. Desde nosso reencontro, não quis perdê-lo mais de vista.

Abri a porta da sacada. Era noite. Fui até ele.

A Lua Minguante me acolheu com aquele mesmo sorriso que me encantava quando criança. Acomodei-me em seu colo. Era o único que eu tinha.

Com um pedaço de nuvem, cobri meu corpo.

Conversamos. Entreguei-lhe um bocado de tristeza.

Choramos juntas. Há quem diga até hoje que, naquela data, chovera sangue na Terra.

A Lua prometeu a mim que mandaria, a cada noite, o sorriso de uma estrela diferente. A condição era que eu continuasse me encantando com elas.

Não aceitei. Não queria voltar para casa.

Com uma ternura materna, ela disse que eu precisava descer.

Como uma filha birrenta, joguei-me de seu colo.

Abri os olhos. Com dificuldade, avistei, de um lado, minha mãe. Do outro, a Lua. Acima, a sacada.

À mãe, entreguei as vísceras tranquilas, em flores. À Lua, entreguei a alma. Às estrelas, dei as mãos.

Com os anjos, enfim, eu dancei.






*Obra do artista Sérgio Prata, intitulada "Sinfonia dos Anjos". http://www.sergioprata.com.br/

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