quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Rosários

Havia um silêncio. Pálido, gélido, sólido.

Às 22h20 daquele dia, enfim, as primeiras palavras: "Vai querer quiabo?".

 -Não. - respondi.

Mais tarde, do final do corredor, eu a avistei. Estava deitada, de costas para mim. Enquanto dormia, pude medir o quanto ela doía.

Retirei-me, correndo. Aos pés da cama, ajoelhada dentro da minha garganta, eu chorei. E até rezei. Queria ser melhor.

A voz doce se fez presente: "Cuida dela."

Levantei o rosto. Naquele momento, senti algo ser retirado dos olhos e pude, finalmente, fazer algumas finas vistas da minha própria vida. (Cabe dizer que eu não conseguira tentar nem as grossas, até então.)

Mas, tive medo. E, herege de mim mesma, ali, preferi me estirar sem cores. Talvez acordasse queimada.

Talvez pedisse perdão.




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