sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Observações

Fui à casa das vozes doces. Elas cuidam de mim. Não sei a razão disso, apenas sinto que o efeito de ir até lá é melhor que o dos coloridos.

Senti saudade de encontrá-las. E eu também não havia feito muita coisa para ser melhor hoje. Nem a mim, nem a ela. Queria compensar, talvez, sendo melhor a outrem.

"Fica forte." Uma delas repetiu isso várias vezes, enquanto eu degustava, indigesta, o desespero do rapaz ao lado. Com as mãos entre as pernas, ele balançava o tronco incessantemente.

Eu quis sair correndo. Quis mandá-lo parar com aquilo e ter mais controle sobre o próprio corpo. Quis esbofeteá-lo. Mas, lembrei do copo de whisky se quebrando entre os dedos dela.

Eu o abracei... Naquele instante, então, outras vozes vieram socorrê-lo. Entraram numa sala. Dentre gritos, vidas verdes e um tanto de paz, ele retomou o autocontrole.

Respirei, aliviada, por desfrutar de novo o silêncio devolvido ao lugar. Até que ouvi: "Muito obrigado, minha filha."

Eu procurava entender o motivo daquele agradecimento, quando o rapaz saiu da sala. Colocou seu paletó, sua boina e, num gesto tímido, abaixando a cabeça, sorriu-me.

Levantei. Retribuí o agradecimento e já ia me retirando. Mas fui impedida ao lembrar do amargo que me aguardava, no lugar ao qual eu retornaria...

Sentei novamente. Ali fiquei, por horas. Até que deixei, enfim, enterrada naquele chão, uma luz. E fui embora.





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