domingo, 13 de janeiro de 2013

Gestações (Parte I)

A chuva era intensa. Eu abria, rapidamente, o cadeado do portão de casa, quando fui interrompida: "Por que tanta pressa?!"

Fechei os olhos e respirei um sorriso. Das vozes doces, aquela era a que sempre me trazia alegria. Não que as outras não trouxessem, mas essa era uma alegria especial.

"Entre no seu carro e trate de me seguir", disse.

Mesmo com as roupas e o corpo já molhados, assim o fiz. Fui à casa das vozes doces.

Não sabia a razão de me fazer voltar lá, até entender que as cordas vocais realmente haviam pedido ajuda.

Abri o portão e descobri que algumas pessoas ali me esperavam. Uma delas se dirigiu até mim, orientando: "Amanhã você brotará de novo. Engravide-se, volte novamente ao seu útero, renasça, pegue-se no colo, banhe-se com jasmim e traga algumas rosas. Será a última oportunidade de ser adubada, exceto se ainda quiser que defequem sobre você."

Fiquei assustada com a possibilidade de continuar falhando. Mas também senti um alívio: receberia, tão logo, mais uma cápsula para ser melhor. "Se eu corresponder, talvez ela se arrependa de ter me expulsado.", pensei.

Voltei para casa. Eles estavam sentados na sala de jantar.

Subi até o quarto. Tirei a roupa molhada; sequei o corpo. Esperançosa, concebi-me. Assim, repousei em meu útero.




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