domingo, 20 de janeiro de 2013

Forçada à mente

Era madrugada. Eu tinha sede.

Levantei-me e, instantânea à mente, gritei: não sentira as pernas. Da cama, fui direto ao chão.

Eu rastejava com a força dos braços, buscando algo que servisse como apoio. Continuei pedindo ajuda. Ninguém me ouvia...

Com as pupilas já um tanto dilatadas, pude perceber que não estava mais em meu quarto. Era um galpão escuro.

Havia um pouco de palha e algumas rodas antigas (como aquelas de carroças) espalhadas pelo lugar.

Naquele instante, percebi também que, além de não sentir as pernas, elas estavam amarradas com cordas. Vivas.

Inútil-mente, eu me debatia, numa imensa aflição. Mas, quanto mais me agitava, mais as cordas me amarravam. Assim, elas atingiram meus braços e pescoço.

Não, não havia alguém comigo. Portanto, por pior que parecesse, eu estaria segura. Exceto pelo fato de estar comigo mesma.

Prática à mente, com o corpo inteiro desfalecido, tentei dormir. Decidi guardar forças para quando o Sol despontasse. Alguém, certa à mente, ouvir-me-ia.

Avistei, então, ao longe, algumas flores que de mim se aproximavam. Olhei mais atenta à mente: eram trazidas por três crianças.

Elas se posicionaram ao meu redor: a primeira à esquerda, a segunda à direita e a terceira, perto de minha cabeça.

Uma delas me pediu, carinhosa à mente, que eu comesse aquelas flores. Eram rosas. Brancas.

Sem forças e sem outra alternativa, degustei-as, uma a uma. Mas, antes que chegasse à terceira, fechei os olhos.

Por alguma razão, senti que ali eu me culpava. Punia-me. Vi, dentro dos meus olhos, à minha frente, um penhasco com pontas de flechas, como as de sílex.

Seria meu próximo passo. Por isso, as cordas vivas. Deveriam me proteger, trazendo um cado de vida.

Com medo, não quis ingerir aquela última rosa. Preferi lançá-la ao abismo, junto a meu maior inimigo.

As crianças se despediram.

Alguém, enfim, entrelaçou os braços em minha cintura. Um tanto cansada, notei que as cordas não mais existiam e que eu estava, nova à mente, em meu quarto.

Aqueles braços eram da mais moça, que viera me socorrer. Pedindo, suave-mente, que eu acalmasse,  colocou-me sobre a cama.

E, lenta a mente, devolveu-me o movimento às pernas.




 




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