terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Monstrando-se

15h13: abri os olhos.

Na barriga, um frio que agia como o cimento que me prendia ao colchão. Na mente, o turbilhão de pensamentos que me prendia a mim mesma. Nos olhos há pouco abertos, uma nuvem acinzentada por egoísmo. Também sentia ter perdido alguns três quilos enquanto dormia, consumidos pelo tédio de existência.

Era a primeira sexta-feira do ano; era aniversário da minha mãe. As visitas já tomavam o café da tarde. Mas eu não tinha força (de vontade) pra sair da cama. E tinha medo...

Medo de me ver de pé, medo de abrir a janela, medo de ver o céu azul e não corresponder à alegria que o dia me trazia. Medo de interagir com os espelhos e enxergar meu lado mais sombrio. Medo... Medo de sim, medo de não, medo de viajar de avião, medo de gente, medo de solidão, medo de inverno, medo de verão...

Minha mente era sarcasticamente irônica. E as mãos... estavam atadas. De novo.

"Até quando?!", eu perguntei. A resposta veio doce e certeira, como sempre: "Até quando você quiser, querida."

Levantei. Cuidei-me, como pude. Então, descansei as mãos sobre os ombros da minha mãe, enquanto permanecia sentada. Ela não se moveu, apenas agradeceu.

E eu voltei ao egocêntrico turbilhão.

Feliz Novo Ano!








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